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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

UPP: Unidade do Plim-Plim

O governo do Rio de Janeiro anunciou a construção de mais uma Unidade de Polícia Pacificadora, UPP. A 13ª unidade será construída na Vila Isabel, em frente ao Centro Integrado de Educação Pública, CIEP.
Os Brizolões, como ficaram conhecidos os CIEPs, foram um projeto educacional idealizado por Darcy Ribeiro e implantados pelo então governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola.
Os prédios concebidos por Oscar Niemeyer possuiam três edifícios: o primeiro era uma estrutura de três pavimentos que abrigava salas de aula, centro médico, cozinha, refeitório e áreas de recreação. Outro edifício consistia em um ginásio esportivo e no terceiro funcionava uma biblioteca e os dormitórios.
O foco do projeto era tirar crianças das ruas. Cada uma das 500 unidades, construídas em lugares pobres, oferecia educação integral, de 8 às 17 horas, em que o currículo regular era enriquecido com atividades culturais, esportivas e estudos dirigidos. Além das três refeições diárias, as crianças mais carentes contavam com banhos, dormitórios e até "pais sociais". Difícil acreditar, mas isso existiu no Brasil.
Não era simplesmente uma escola. Tratava-se do projeto educacional mais ambicioso que já saiu do papel: 500 unidades foram construídas nas periferias.
A reação de Roberto Marinho foi imediata: O "jornalista" não poupou esforços para convencer a opinião pública de que os projetos teriam sido construídos com propósitos eleitorais, uma vez que eram instalados em áreas pobres. Segundo o comandante do plim-plim, Brizola era um senil, e já não tinha tanta lucidez . Era visionário de um projeto caro para o Estado. Muito dinheiro para se desperdiçar com educação. A Veja não ficou atrás, e a capa de uma edição mostrava Brizola como um dinossauro da política.
Assim, não demorou muito para que os governantes, numa  notória demonstração de genialidade, percebessem que era mais econômico acabar com o ensino integral e oferecer ensino em turnos, multiplicando o número de alunos.
A Vila Isabel volta a receber um investimento do Estado. Agora com o louvor do Plim-Plim, porque  não se trata de ressuscitar a senil idéia de Brizola, e sim de instalar o que há de mais moderno no conceito de segurança pública: uma unidade policial.
Educação: a gente não vê por aqui.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Violência no Rio ultrapassa os limites... da pobreza

O confronto entre policiais e traficantes no Rio de Janeiro deixa o país estarrecido e coloca, mais uma vez, a cidade nos jornais do mundo inteiro.
Enquanto os traficantes barbarizam a cidade, a polícia se mobiliza para retomar os territórios com força total, mostrando que, de fato, se trata de uma guerra.
A nossa reflexão começa novamente pelo tratamento que a mídia dá ao assunto. O Rio de Janeiro jamais terá sucesso no combate à violência enquanto a imprensa continuar chamando os ataques de “onda de violência”. Trata-se, novamente, de um modo elitista de compreender a tragédia como se fosse um evento isolado e passageiro, que se resolve com leis mais duras e repressão policial. A violência só preocupa quando atravessa as fronteiras da miséria e atinge a sociedade. Nunca é um problema quando fica restrita aos morros. O que acontece quando a violência atravessa a linha da pobreza? Dizemos que ela passou dos limites! Aqui não estamos falando de intensidade, mas exatamente de limites geográficos. Dentro da favela tudo pode acontecer, mas quando o pânico cruza a linha da pobreza e chega à sociedade, dizemos que os traficantes passaram do limite. Por isso chamamos os pobres de excluídos: porque onde moram não há lei, não há direito, nem cidadania e, portanto, não representam problema. São indigentes, que só entram em escola para votar, nunca para estudar. A realidade é que o narcotráfico possui mais política inclusiva que o Estado. Os problemas dos pobres só se tornam questões sociais quando atingem os ricos.
Agora, diante dessa barbárie, entre ensurdecedoras explosões eis que surge na população um clima de incerteza e insegurança, eixo norteador de todos os problemas do Rio, que se resume em uma única questão fundamental: como esconder o problema e fazer bonito na copa do mundo?