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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Nosso moderno Elogio da Loucura

A alta no preço do petróleo e o fantasma da inflação reacendem nas conversas de botequim a questão dos nossos impostos. A população não agüenta mais. O sentimento é de saturação, fomentado principalmente pela mídia, que repete exaustivamente que a nossa carga tributária é a causa de nosso país produzir pouco e o consumo se tornar caro. Para manter esse sentimento, existe até o “impostômetro”, que dá ao brasileiro a noção do montante que sai do nosso bolso para os cofres públicos.
É triste também que nosso dinheiro tenha tão pouco valor quando se torna público. Nós não nos conformamos ao ver nosso dinheiro se tornando escolas ruins, hospitais lotados e rodovias assassinas. Mas curiosamente, assistimos com encanto ver nosso dinheiro se tornando contos de fadas em forma de mansões, carros de luxo e festas regadas a muita droga. Não estamos falando de traficantes e nem de políticos. Estamos falando dos nossos ídolos.
Afinal, quem paga tudo isso? Trabalhamos duro a semana inteira, abastecemos nosso carro com indignação, revoltamo-nos contra as rodovias, hospitais e escolas, mas curiosamente conseguimos relaxar e nos entreter vendo os programas dominicais mostrando a vida perdulária de artistas exibindo suas mansões, jogadores de futebol em suas Ferraris, apresentadores e animadores de auditório com salários a partir de 500 mil e que desconhecem o significado de teto salarial. Quem paga essa conta? Alguém dirá que o salário é merecido e que isso é dinheiro de publicidade. Novamente perguntamos: quem paga essa conta?
Na sala de espera do dentista, as revistas de fofocas funcionam como pré-anestésicas. Ver o quão pomposo foi o casamento de um artista, de que país foi importada a champanhe e saber quem foi o estilista e quanto custou o vestido são encantos capazes de tirar a tensão causada por aquele barulhinho da broca.
Sabemos bem que nosso imposto não retorna em serviços da melhor qualidade. Mas que retorno tem para a população o custo que pagamos pela publicidade que se esconde atrás dos impostos? O talento dos marqueteiros consegue maquiar esse custo e canalizar toda a indignação do consumidor nos tributos.
Tornamo-nos ariscos na hora de pagar a conta das nossas estradas, mas somos dóceis vendo nossas celebridades debocharem do nosso dinheiro com casamentos extravagantes e carros de luxo. Alguém tem uma explicação?

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Qual é a reforma mais urgente?

Se dermos um pouco de crédito aos noticiários e à classe política, tudo indica que o Brasil deverá passar por grandes reformas nos próximos anos. Fala-se muito, ultimamente, em reforma política e reforma tributária, mas existem também temas que não estão na moda, mas nem por isso deixam de ser populares, como reforma agrária e dos meios de comunicação. De todas as reformas que arrisquei enumerar, alguns motivos que me levam a crer que a mais urgente é a reforma dos meios de comunicação.
O motivo é simples: essas reformas promoverão transformações estruturais no país. Não estamos falando de reparo em um museu ou da construção de uma ponte. Estamos falando de transformações que afetarão toda a população, inclusive as próximas gerações.
Durante o período militar, por decisões extremamente concentradas o país assumiu dívidas históricas, na maioria das vezes contraídas para financiar projetos totalmente desalinhados com as prioridades da época e o interesse nacional. Pela arbitrariedade de um governo, ainda hoje uma nação inteira trabalha para arcar com essa dívida. Isso não é justo.
Não podemos repetir esse erro histórico. Temos uma grande responsabilidade com o futuro do país. Por isso, entendo que o pré-requisito para todas as reformas é o esclarecimento e o envolvimento da população. Enquanto a opinião pública continuar sendo controlada pelos mesmos feudos midiáticos que apoiaram a ditadura, a população será vítima de um golpe após o outro. Só haverá debate de verdade e participação das massas com a democratização dos meios de comunicação. Portanto, comecemos o debate com a Reforma das Comunicações.

sábado, 27 de novembro de 2010

A entrevista de Lula aos blogueiros sujos

Uma entrevista dada pelo presidente Lula no último dia 24 vem causando controvérsias. Parafraseando o presidente, nunca na história desse país uma entrevista causou tanta polêmica.
O presidente recebeu no Palácio do Planalto um grupo de blogueiros progressistas. Aqueles mesmos a quem José Serra chamou de "blogueiros sujos". Aliás, parece mesmo que eles gostaram desse nome, pois passaram a usar com frequencia a expressão para se referirem uns aos outros carinhosamente.
Não haveria razão para tanto barulho pois, nos oito anos de governo, o presidente esteve à disposição da imprensa em pelo menos 960 ocasiões, conforme dados do próprio Ministro da Comunicação Social, Franklin Martins.
A grande imprensa vem fazendo um esforço para desqualificar e fazer o encontro entre Lula e os blogueiros cair no ridículo. O motivo para a hostilidade é que eles representam uma resistência às oligarquias da midia. Lutam pela democratização da informação e suas postagens fazem oposição ao que denominam Partido da Imprensa Golpista (PIG). Para eles, a imprensa nacional, sob a idéia de neutralidade, atua como um partido político, o PiG.
A reação da mídia foi imediata. A Folha de São Paulo exigiu uma satisfação do Planalto: queria saber como a entrevista teria sido agendada e quando foi autorizada. O Globo também reagiu imediatamente no sentido de debochar da entrevista, dizendo que o presidente havia recebido amigos e que aquilo não era jornalismo. De fato não era. Estava mais para uma conspiração, uma vez que o tema central da entrevista foi sobre a regulamentação da mídia, que os blogueiros "sujos" chamam de "democratização", mas os conglomerados da informação insistem em chamar de "censura". Esse é o motivo para tanta preocupação.
Poderíamos dizer que assim como nos EUA existe a Casa Branca e na Argentina, a Casa Rosada, se dependesse da velha mídia, o Planalto se chamaria Casa Grande. É indigesto para nossa imprensa que circule livremente por ali alguém que tenha nascido e se criado na senzala e ainda por cima receber visitas.

domingo, 14 de novembro de 2010

Mídia, Opinião Pública e Golpe

De um modo geral, as pessoas concordam que os programas de TV causam influências na moda, nos costumes, estética ou na linguagem, em maior ou menor proporção.
Normalmente esse fenômeno é identificado entre os jovens, que são mais suscetíveis às chamadas "febres". Quando um personagem é popular na TV, rapidamente vemos suas roupas, calçados e até sua linguagem ser exaustivamente reproduzida no dia a dia.
Mas o grande negócio da mídia nunca foi vender produtos, e sim vender idéias. A moda passa ligeiramente, mas as idéias se enraízam. O problema não é quando a moda torna uma juventude refém, e sim quando as idéias fixam na experiência dos cabelos grisalhos. Aqui está o verdadeiro perigo.
A mídia sempre esteve com um pé à frente dos golpes. A nossa imprensa preparou a opinião pública para o Golpe de 1964, prestando culto à ordem e associando qualquer mobilização à violência e à desordem. Pouco antes, as multinacionais gastavam milhões financiando propagandas que mostravam a necessidade para conter o avanço do comunismo como questão de segurança nacional. A nossa ditadura passou a ser vista como uma necessidade. No ano de 1982, a mídia preparava o Rio de Janeiro para aceitar uma derrota de Leonel Brizola nas urnas, mas a fraude foi descoberta e a vontade do povo prevaleceu.
Ainda hoje reproduzimos as mesmas idéias que nos foram vendidas. Vimos ressurgir com força nas últimas campanhas eleitorais, quando o tripé "Tradição, Família e Propriedade" foi novamente usado para evitar que uma guerrilheira fosse eleita pela vontade do povo.
Para a nossa imprensa, a ordem estabelecida leva as coisas à mais perfeita harmonia. E pelo visto, os nossos ídolos ainda são os mesmos...