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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Antônio Palocci: Um mal necessário?

Em março de 2006, o Antônio Palocci deixava o governo Lula sob a acusação de quebrar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos, testemunha em um processo que poderia comprometer o então Ministro da Fazenda. A repercussão do caso, derrubou o Ministro, entretanto, não impediu que fosse eleito Deputado Federal pelo Estado de São Paulo naquele ano.
Nas eleições de 2010, enquanto a mídia lutava a todo custo para evitar a eleição de Dilma, especulando uma possível volta de José Dirceu ao governo, era Palocci que vinha crescendo. Eleita presidente, o ex-ministro ressurge como o homem mais forte do governo Dilma.
Não é preciso ser nenhum analista político para saber de onde vem a força do bem sucedido ministro-consultor: seu bom relacionamento com o mercado. Basta verificar quem financiou sua campanha em 2006.
Palocci é necessário porque a eleição não é decidida pelos trabalhadores, e sim por banqueiros e empreiteiros. O Ministro voltou mais forte porque o novo leviatã, chamado mercado, mesmo sem possuir título de eleitor, tem mais força que os trabalhadores na hora de decidir uma eleição. Ele é a garantia de que o país não será conduzido pelos mesmos “terroristas” que o golpe de 64 queria evitar.
Não se combate Antônio Palocci com quebra de sigilo bancário, fiscal, depoimento e nem com CPI. A “criptonita” de Palocci é a mobilização dos trabalhadores. Não existe governo realmente comprometido com o interesse social enquanto nosso sistema eleitoral for refém do poder econômico. A única forma de exorcizar Palocci do governo está no velho credo: “proletários, uni-vos!”.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Qual é a reforma mais urgente?

Se dermos um pouco de crédito aos noticiários e à classe política, tudo indica que o Brasil deverá passar por grandes reformas nos próximos anos. Fala-se muito, ultimamente, em reforma política e reforma tributária, mas existem também temas que não estão na moda, mas nem por isso deixam de ser populares, como reforma agrária e dos meios de comunicação. De todas as reformas que arrisquei enumerar, alguns motivos que me levam a crer que a mais urgente é a reforma dos meios de comunicação.
O motivo é simples: essas reformas promoverão transformações estruturais no país. Não estamos falando de reparo em um museu ou da construção de uma ponte. Estamos falando de transformações que afetarão toda a população, inclusive as próximas gerações.
Durante o período militar, por decisões extremamente concentradas o país assumiu dívidas históricas, na maioria das vezes contraídas para financiar projetos totalmente desalinhados com as prioridades da época e o interesse nacional. Pela arbitrariedade de um governo, ainda hoje uma nação inteira trabalha para arcar com essa dívida. Isso não é justo.
Não podemos repetir esse erro histórico. Temos uma grande responsabilidade com o futuro do país. Por isso, entendo que o pré-requisito para todas as reformas é o esclarecimento e o envolvimento da população. Enquanto a opinião pública continuar sendo controlada pelos mesmos feudos midiáticos que apoiaram a ditadura, a população será vítima de um golpe após o outro. Só haverá debate de verdade e participação das massas com a democratização dos meios de comunicação. Portanto, comecemos o debate com a Reforma das Comunicações.

domingo, 14 de novembro de 2010

Mídia, Opinião Pública e Golpe

De um modo geral, as pessoas concordam que os programas de TV causam influências na moda, nos costumes, estética ou na linguagem, em maior ou menor proporção.
Normalmente esse fenômeno é identificado entre os jovens, que são mais suscetíveis às chamadas "febres". Quando um personagem é popular na TV, rapidamente vemos suas roupas, calçados e até sua linguagem ser exaustivamente reproduzida no dia a dia.
Mas o grande negócio da mídia nunca foi vender produtos, e sim vender idéias. A moda passa ligeiramente, mas as idéias se enraízam. O problema não é quando a moda torna uma juventude refém, e sim quando as idéias fixam na experiência dos cabelos grisalhos. Aqui está o verdadeiro perigo.
A mídia sempre esteve com um pé à frente dos golpes. A nossa imprensa preparou a opinião pública para o Golpe de 1964, prestando culto à ordem e associando qualquer mobilização à violência e à desordem. Pouco antes, as multinacionais gastavam milhões financiando propagandas que mostravam a necessidade para conter o avanço do comunismo como questão de segurança nacional. A nossa ditadura passou a ser vista como uma necessidade. No ano de 1982, a mídia preparava o Rio de Janeiro para aceitar uma derrota de Leonel Brizola nas urnas, mas a fraude foi descoberta e a vontade do povo prevaleceu.
Ainda hoje reproduzimos as mesmas idéias que nos foram vendidas. Vimos ressurgir com força nas últimas campanhas eleitorais, quando o tripé "Tradição, Família e Propriedade" foi novamente usado para evitar que uma guerrilheira fosse eleita pela vontade do povo.
Para a nossa imprensa, a ordem estabelecida leva as coisas à mais perfeita harmonia. E pelo visto, os nossos ídolos ainda são os mesmos...