domingo, 14 de novembro de 2010

Mídia, Opinião Pública e Golpe

De um modo geral, as pessoas concordam que os programas de TV causam influências na moda, nos costumes, estética ou na linguagem, em maior ou menor proporção.
Normalmente esse fenômeno é identificado entre os jovens, que são mais suscetíveis às chamadas "febres". Quando um personagem é popular na TV, rapidamente vemos suas roupas, calçados e até sua linguagem ser exaustivamente reproduzida no dia a dia.
Mas o grande negócio da mídia nunca foi vender produtos, e sim vender idéias. A moda passa ligeiramente, mas as idéias se enraízam. O problema não é quando a moda torna uma juventude refém, e sim quando as idéias fixam na experiência dos cabelos grisalhos. Aqui está o verdadeiro perigo.
A mídia sempre esteve com um pé à frente dos golpes. A nossa imprensa preparou a opinião pública para o Golpe de 1964, prestando culto à ordem e associando qualquer mobilização à violência e à desordem. Pouco antes, as multinacionais gastavam milhões financiando propagandas que mostravam a necessidade para conter o avanço do comunismo como questão de segurança nacional. A nossa ditadura passou a ser vista como uma necessidade. No ano de 1982, a mídia preparava o Rio de Janeiro para aceitar uma derrota de Leonel Brizola nas urnas, mas a fraude foi descoberta e a vontade do povo prevaleceu.
Ainda hoje reproduzimos as mesmas idéias que nos foram vendidas. Vimos ressurgir com força nas últimas campanhas eleitorais, quando o tripé "Tradição, Família e Propriedade" foi novamente usado para evitar que uma guerrilheira fosse eleita pela vontade do povo.
Para a nossa imprensa, a ordem estabelecida leva as coisas à mais perfeita harmonia. E pelo visto, os nossos ídolos ainda são os mesmos...

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