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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Qual é a reforma mais urgente?

Se dermos um pouco de crédito aos noticiários e à classe política, tudo indica que o Brasil deverá passar por grandes reformas nos próximos anos. Fala-se muito, ultimamente, em reforma política e reforma tributária, mas existem também temas que não estão na moda, mas nem por isso deixam de ser populares, como reforma agrária e dos meios de comunicação. De todas as reformas que arrisquei enumerar, alguns motivos que me levam a crer que a mais urgente é a reforma dos meios de comunicação.
O motivo é simples: essas reformas promoverão transformações estruturais no país. Não estamos falando de reparo em um museu ou da construção de uma ponte. Estamos falando de transformações que afetarão toda a população, inclusive as próximas gerações.
Durante o período militar, por decisões extremamente concentradas o país assumiu dívidas históricas, na maioria das vezes contraídas para financiar projetos totalmente desalinhados com as prioridades da época e o interesse nacional. Pela arbitrariedade de um governo, ainda hoje uma nação inteira trabalha para arcar com essa dívida. Isso não é justo.
Não podemos repetir esse erro histórico. Temos uma grande responsabilidade com o futuro do país. Por isso, entendo que o pré-requisito para todas as reformas é o esclarecimento e o envolvimento da população. Enquanto a opinião pública continuar sendo controlada pelos mesmos feudos midiáticos que apoiaram a ditadura, a população será vítima de um golpe após o outro. Só haverá debate de verdade e participação das massas com a democratização dos meios de comunicação. Portanto, comecemos o debate com a Reforma das Comunicações.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Ex-presidente *

Sempre reparei muito as nomenclaturas e terminologias utilizadas nos mais variados textos e entrevistas.
E, como de costume, também notei que a Imprensa, de um modo em geral (ou se preferirem... as "poderosas" - quase todas, diga-se de passagem), sempre se dirigia às ex-autoridades máximas de nosso país sem a nomenclatura "ex" - principalmente em entrevistas (televisivas ou não - embora a ausência da partícula predominasse nas de primeiro tipo). Chamavam o Fernando Henrique Cardoso de Presidente - mesmo após alguns anos de sua saída; idem para Sarney, Itamar.
Para não ficar só na Presidência, basta olhar alguns casos de Governadores, Senadores e Deputados que saíram dos cargos (seja para disputar novos, seja pela derrota em eleições). Não vou ficar citando muito nomes. Diversas entrevistas no YouTube estão disponíveis para quem se interessar.
O fato é que "nunca antes na história desse país" um ex-presidente foi assim chamado: "EX-Presidente".
Mas com Lula, parece que querem fazer de tudo para apagarem sua estrela (ou a do Partido dos Trabalhadores  - PT, nunca se sabe).
A realidade é que fazem de tudo para enfatizar a partícula "ex".
Não sei se é a falta de costume de verem tratar um ex-presidente assim ou se é porque a partícula vem carregada com um viés negativo de tentar, efetivamente, afastá-lo - ou ambos.
Mas a realidade é que Lula, até nisso, foi superior.
Não roubou a cena na posse de Dilma. Nem ficou ou está dando pitacos no novo governo. Enfim. Apenas se resignou - ação que alguns EX-Presidentes, EX-Senadores, EX-Prefeitos, EX-Governadores, EX-Deputados, EX-Vereadores deveriam fazer, não é mesmo?! De qualquer jeito, fica a dica...

* Colaboração de Rafael Alves

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Justiça ao velho estilo "Panem et circenses"

É impressionante a capacidade que a sociedade tem de desfocar os olhares dos verdadeiros problemas para se apegar a representações. O apelo social parece reproduzir uma fiel encenação da caverna de Platão. Enquanto nos ocupamos discutindo sobre as sombras, estreitamos a nossa mente para a realidade que nos envolve.
A nossa idéia de justiça é um exemplo típico. Quando o casal Nardoni foi condenado, pessoas celebravam com fogos de artifícios e faixas anunciando que "a justiça foi feita". Sempre que um "caso" recebe intensa cobertura da mídia, o resultado é um banquete com as cabeças dos réus.
Mas acontece que a cabeça de um acusado numa bandeja não sacia a fome das crianças. Não leva justiça a elas, não as tira da prostituição nem evita que caiam no mundo do crime. Todos os dias a miséria promove uma carnificina, mas os rostos dessas crianças não viram cartazes nem estampas de camisetas.
Os crimes que os jornais transformam em "casos" dissipam nosso potencial de indignação, e transformam nossa sede de justiça em "caça às bruxas". Resultado disso é vermos nossos tribunais se tornarem modernos coliseus, fazendo da vingança um circo para as pessoas.
Mas no final a imprensa sensacionalista acaba satisfazendo a todos: a parte da população que sabe ler e dispõe de recursos compra os jornais procurando encontrar nas notícias uma impressão de apoteose da justiça; a outra parte, analfabeta e pobre, aguarda os jornais lidos serem descartados para que lhes sirva de lençol e cobertores nas calçadas.

domingo, 14 de novembro de 2010

Ley de Medios e Censura

A Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual, ou Ley de Medios, como ficou mais conhecida, é uma iniciativa do governo argentino para regular a comunicação no país.
Assim como no Brasil, a comunicação argentina está concentrada nas mãos de alguns poucos grupos midiáticos. E assim como no Brasil, a imprensa funciona atua como um partido político, sempre a serviço de interesses econômicos.
Embora esses poderosos grupos tentem gerar na população um clima de terror e insegurança, o projeto nada tem a ver com censura. Repetindo: não se trata de censura. Na verdade, censura é continuar permitindo que exista um monopólio sobre a comunicação, a serviço de interesses econômicos. Isso sim, é censura.
O projeto visa resguardar a cultura local, estabelecendo que a grade horária deve ter um mínimo de produção nacional, instaurar o controle social para debater sobre o conteúdo e principalmente, abolir o monopólio da comunicação, evitando também que seja controlada por conglomerados políticos.
Para saber mais sobre o assunto, sugerimos visita ao sítio www.direitoacomunicacao.org.br