É impressionante a capacidade que a sociedade tem de desfocar os olhares dos verdadeiros problemas para se apegar a representações. O apelo social parece reproduzir uma fiel encenação da caverna de Platão. Enquanto nos ocupamos discutindo sobre as sombras, estreitamos a nossa mente para a realidade que nos envolve.
A nossa idéia de justiça é um exemplo típico. Quando o casal Nardoni foi condenado, pessoas celebravam com fogos de artifícios e faixas anunciando que "a justiça foi feita". Sempre que um "caso" recebe intensa cobertura da mídia, o resultado é um banquete com as cabeças dos réus.
Mas acontece que a cabeça de um acusado numa bandeja não sacia a fome das crianças. Não leva justiça a elas, não as tira da prostituição nem evita que caiam no mundo do crime. Todos os dias a miséria promove uma carnificina, mas os rostos dessas crianças não viram cartazes nem estampas de camisetas.
Os crimes que os jornais transformam em "casos" dissipam nosso potencial de indignação, e transformam nossa sede de justiça em "caça às bruxas". Resultado disso é vermos nossos tribunais se tornarem modernos coliseus, fazendo da vingança um circo para as pessoas.
Mas no final a imprensa sensacionalista acaba satisfazendo a todos: a parte da população que sabe ler e dispõe de recursos compra os jornais procurando encontrar nas notícias uma impressão de apoteose da justiça; a outra parte, analfabeta e pobre, aguarda os jornais lidos serem descartados para que lhes sirva de lençol e cobertores nas calçadas.
A nossa idéia de justiça é um exemplo típico. Quando o casal Nardoni foi condenado, pessoas celebravam com fogos de artifícios e faixas anunciando que "a justiça foi feita". Sempre que um "caso" recebe intensa cobertura da mídia, o resultado é um banquete com as cabeças dos réus.
Mas acontece que a cabeça de um acusado numa bandeja não sacia a fome das crianças. Não leva justiça a elas, não as tira da prostituição nem evita que caiam no mundo do crime. Todos os dias a miséria promove uma carnificina, mas os rostos dessas crianças não viram cartazes nem estampas de camisetas.
Os crimes que os jornais transformam em "casos" dissipam nosso potencial de indignação, e transformam nossa sede de justiça em "caça às bruxas". Resultado disso é vermos nossos tribunais se tornarem modernos coliseus, fazendo da vingança um circo para as pessoas.
Mas no final a imprensa sensacionalista acaba satisfazendo a todos: a parte da população que sabe ler e dispõe de recursos compra os jornais procurando encontrar nas notícias uma impressão de apoteose da justiça; a outra parte, analfabeta e pobre, aguarda os jornais lidos serem descartados para que lhes sirva de lençol e cobertores nas calçadas.
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