Temos visto circular na internet um vídeo em que o comentarista Luiz Carlos Prestes, do grupo RBS, filiado à Rede Globo, afirma que os acidentes de trânsito acontecem porque (sic) "qualquer miserável tem um carro".
Felizmente, o vídeo teve uma repercussão negativa, o que indica que a nossa sociedade ainda consegue reagir a esse tipo de preconceito. Para muitas pessoas, o motivo da indignação foi a palavra "miserável". Neste texto queremos chamar atenção para a palavra "qualquer". A infelicidade do comentário, ao nosso ver, está nela.
O pensamento de Luiz Prates é muito mais presente em nosso meio do que imaginamos. Não percebemos porque nem sempre o termo "qualquer" vem acompanhada da palavra "miserável". "Os hospitais particulares atendem melhor porque não atendem qualquer paciente". Percebe?
As escolas particulares são melhores porque lá não entra qualquer criança. Os shoppings centers são agradáveis e seguros porque não são frequentados por qualquer consumidor. Se um mesmo cantor fizer dois shows em um mesmo lugar, reproduzindo o mesmo repertório, sendo um gratuito e outro cobrado, alguns preferirão assistir à apresentação paga, porque sabem que lá não estará presente "qualquer" público. Se um ambiente começar ficar frequentado demais, admitimos sem nenhuma reclamação pagar a entrada apenas para estarmos em um ambiente com público selecionado. Como vimos, o mesmo preconceito é aceitável quando, ao invés da palavra "miserável", usamos palavras como "paciente", "criança", "consumidor" ou "público".
Aliás, eu diria que no vocabulário do preconceito a expressão "público selecionado" é a irmã branca de olhos azuis da expressão "qualquer miserável". Ela passeia em shoppings, é atendida nos melhores hospitais, estuda em boas escolas, frequenta locais requintados e se assenta à nossa mesa sem nos causar náusea. Curioso, não?
Felizmente, o vídeo teve uma repercussão negativa, o que indica que a nossa sociedade ainda consegue reagir a esse tipo de preconceito. Para muitas pessoas, o motivo da indignação foi a palavra "miserável". Neste texto queremos chamar atenção para a palavra "qualquer". A infelicidade do comentário, ao nosso ver, está nela.
O pensamento de Luiz Prates é muito mais presente em nosso meio do que imaginamos. Não percebemos porque nem sempre o termo "qualquer" vem acompanhada da palavra "miserável". "Os hospitais particulares atendem melhor porque não atendem qualquer paciente". Percebe?
As escolas particulares são melhores porque lá não entra qualquer criança. Os shoppings centers são agradáveis e seguros porque não são frequentados por qualquer consumidor. Se um mesmo cantor fizer dois shows em um mesmo lugar, reproduzindo o mesmo repertório, sendo um gratuito e outro cobrado, alguns preferirão assistir à apresentação paga, porque sabem que lá não estará presente "qualquer" público. Se um ambiente começar ficar frequentado demais, admitimos sem nenhuma reclamação pagar a entrada apenas para estarmos em um ambiente com público selecionado. Como vimos, o mesmo preconceito é aceitável quando, ao invés da palavra "miserável", usamos palavras como "paciente", "criança", "consumidor" ou "público".
Aliás, eu diria que no vocabulário do preconceito a expressão "público selecionado" é a irmã branca de olhos azuis da expressão "qualquer miserável". Ela passeia em shoppings, é atendida nos melhores hospitais, estuda em boas escolas, frequenta locais requintados e se assenta à nossa mesa sem nos causar náusea. Curioso, não?
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