De vez em quando, alguma revista ou reportagem de TV mostra algum brasileiro bem sucedido no exterior. A notícia quase sempre é feita em tom patriótico, como se fosse um orgulho nacional ver uma estrela brasileira brilhando em céu estrangeiro.
Com vaidade descobrimos que um coritibano está por trás do projeto “Natal”, que se transformou no Kinect, um novo paradigma em Games criado pela poderosa Microsoft. Por esse mesmo sentimento, sentimo-nos co-produtores de "Rio", a animação de sucesso dirigida por um carioca em estúdios americanos. Quase sempre a reação é de orgulho. Não dizemos que é sempre porque quando o craque do nosso time vai jogar na Europa a nossa sensação é de pesar.
Esses e tantos outros exemplos mostram que, no Brasil, quando algum profissional atinge alta qualificação, ao invés de exportarmos o resultado do seu trabalho, exportamos o próprio profissional, para depois importarmos o resultado de seu trabalho.
Notícias como essas, ao invés de orgulho, deveriam gerar em nós constrangimento. Primeiro, porque o sonho de se tornar médico, engenheiro, astronauta ou inventor quase sempre esbarra na exclusão, no abandono escolar, no trabalho infantil ou na prostituição.
Deixando para trás uma multidão de excluídos, os poucos que conseguem alta qualificação não conseguem atuar em suas áreas. O número de profissionais altamente qualificados é tão pouco que é mais fácil encontrar uma boa oportunidade no mercado externo do que encontrar aqui as condições necessárias para produzir. Por falta de condições, se dois engenheiros elétricos se formam na mesma turma, possivelmente um fará carreira em uma multinacional enquanto seu colega de turma se dedicará a trocar capacitores em radinhos. Isso porque não existem, no Brasil, as condições para que esses dois se unam para criar, inovar, produzir e exportar.
Infelizmente, no Brasil, a formação acadêmica é sempre vista como um passaporte e nunca como um direito fundamental, tão necessário quanto saneamento básico. No imaginário popular, a formação acadêmica está mais associada ao mérito de um esforço colossal do que ao exercício de cidadania. Infelizmente, até alguns daqueles que se educaram alimentam um estranho sentimento de que educação deve continuar sendo um caminho árduo. Afinal, se foi difícil pra mim, porque teria de ser fácil para os outros?