Mostrando postagens com marcador repressão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador repressão. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Violência só gera violência

Se um povo que resolve as coisas na violência não pode ser considerado civilizado, então creio que não somos civilizados, pois a violência faz parte do nosso cotidiano.
Acolhemos em nosso país estudantes que vão às ruas para fazer barulho. Recentemente os jornais exibiam uma filmagem em que uma mulher arrancava à força uma jovem do metrô porque estava sentada em assento preferencial. No entorno de Brasília, trabalhadores bloqueiam ruas, interrompem o trânsito e queimam pneus em protesto contra falta de prestação de serviços públicos. Enfim, parecemos mesmo um bando de selvagens.
Essa violência causa alarde, toma conta dos noticiários e nos envergonha muito. Mas não é dessa violência que estamos falando. Nós nos acomodamos e fomos doutrinados de tal maneira que enxergamos apenas uma face da violência. Achamos uma brutalidade uma mulher forçar uma jovem a se levantar de um assento destinado a idosos, mas não vemos como violência o fato de privar uma idosa de se sentar no assento a que tem direito.
Consideramos uma selvageria ver trabalhadores incendiando ônibus, mas somos tapados para a violência que os barões do transporte praticam contra o trabalhador, apartado do direito de ir e vir porque não tem dinheiro pra comprar carro.
Vemos com profundo pesar monstros bloqueando estradas, ateando fogo em pneus, mas nos parece muito normal ver cidadãos sem transporte, saúde, educação ou saneamento básico. Criminalizamos nossos movimentos sociais porque lutam por terra, mas saudamos com louvor os latifundiários do agronegócio, que escravizam pessoas famintas para mandar o melhor de nossa terra para alimentar gado europeu. Da próxima vez que nos disserem “violência só gera violência”, lembremos que a violência social começa com a violação dos direitos fundamentais.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Proibição do uso de véu na França se chama "Princípios republicanos". Se fosse na Venezuela, que nome teria?

No último dia 14 de setembro, a BBC Brasil noticiou que o Senado francês proibiu o uso de véus islâmicos em público.
Por 246 votos a favor e um contra, as mulheres que usarem véu em público serão obrigadas a retirá-lo e conduzidas a delegacia para pagamento de multa.
Curioso é que a lei foi aprovada sob pretexto de 'princípios republicanos'. Segundo a ministra da Justiça, "a França garante o respeito a todas as religiões".
O que intriga nessa história é que não fica claro qual a ameaça do véu à ordem social. Religião é essencialmente simbólica. Não há que se falar em respeito às religiões, quando os seus símbolos são proibidos. Isso é retrato de intolerância e de repressão.
Quais são esses princípios republicanos ? Estado laico é aquele que não impõe nem adota uma religião oficial. Proibir as pessoas de a exercerem como entendem é adotar o secularismo como uma religião das mais fundamentalistas que se tem notícia.
Se o fato tivesse ocorrido na Venezuela, seria noticiado como uma brutal violência comunista, mas como foi na França, vamos chamar de "Princípios Republicanos". É assim que funciona?
Seria muito mais digno e honesto afirmar que "a França é, sim, intolerante à diversidade e à pluralidade, por isso aprovamos essa lei". Se tivessem dito isso, entenderíamos, com pesar, mas não haveria razão para essa postagem.