Outro dia, já bastante tarde, na última viagem de uma lotação, o motorista resolveu, sem consultar os passageiros, pegar uma rota diferente para encurtar um caminho. Uma passageira se sentiu prejudicada com o atalho e reclamou, porque teria de voltar algumas quadras a pé por causa da decisão do motorista. O motorista não cedeu e ela teve que descer ali mesmo. Fato curioso é que após a descida, os próprios passageiros a ridicularizavam a senhora, dizendo entre eles que se ela quisesse ficar em casa, que pegasse um táxi. Em várias outras ocasiões, os próprios passageiros reagem da mesma maneira contra alguém que se recusa a embarcar em uma van lotada. Parece ser um capricho excessivo para o pobre. O fato é que o povão foi doutrinado a ver até a dignidade como extravagância, como se fosse um luxo desmerecido.
Os meios de comunicação reproduzem um estado de sono que não é real. Sob o pretexto de que brasileiro é pacífico, ensinam-nos que nenhum esforço vale a pena, porque nunca passarão de “meia dúzia”. Com isso, instalam um clima de conformismo que não é próprio do brasileiro. Demonstração disso é que os meios de comunicação sempre subestimam as manifestações populares. Sempre divulgam números inferiores dos participantes e negam a repercussão, como se ninguém estivesse sendo incomodado. Isso ocorre em movimentos menores, como greves, manifestações contra aumento de passagem, aprovação de alguma lei, etc.
Quando não é possível disfarçar o incômodo, criminalizam os movimentos, tratando como caso de polícia, como no caso dos movimentos como MST, ou quando estudantes acampam contra a corrupção. Enfim, no Brasil, os poderosos grupos de comunicação trabalham a todo vapor para anestesiar a população e jogar a opinião pública contra qualquer tipo de reação. Tudo para que a sociedade não se organize. Tudo para desencorajar as pessoas de exigirem o que é direito. Para quem acha que esse texto é uma “teoria da conspiração”, é só começar observar.
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