sexta-feira, 25 de março de 2011

Capitalismo e Socialismo na Teoria e na Prática

É incômodo perceber como nosso modelo educacional nos doutrinou a enxergar a economia. Sempre vemos socialismo por um dos seguintes modos: ou mencionamos como uma bárbara e fracassada ditadura marcada por atrasos e violação a direitos humanos, coerção à liberdade e à religião, ou então como um absurdo ilógico e impraticável conto de fadas. Para nos livrar desse horror, até rebatizaram a palavra utopia, ampliando o significado de algo que não existe para significar algo que jamais poderá existir, tal qual um conto infantil, coisa de juventude “revoltadinha” ou então, no máximo, como ingenuidade intelectual.
Da mesma forma, fomos doutrinados a enxergar apenas dois modelos de capitalismo: ou o capitalismo dos livros, belíssima teoria onde se exalta a liberdade individual e a livre iniciativa, ou então o modelo norte-americano, apresentado como a terra das oportunidades, da abundância (leia-se desperdício), onde para ser próspero é só uma questão de vontade.
No socialismo, violência, despotismo e ausência de liberdade são partes integrantes, atributos inerentes, intrínsecos, imanentes ao próprio sistema. Ninguém se habilita a explicar como um país pobre como Cuba sobrevive com índice de desenvolvimento humano elevado, tendo um povo instruído e baixa mortalidade infantil. Mas quando se fala em capitalismo, a pujança econômica se deve unicamente à formidável coerência interna do sistema, enquanto que temas como fome, corrupção, desnutrição, mortalidade infantil e favela são meros acidentes, causados pela indolência do próprio povo.

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