quinta-feira, 21 de abril de 2011

A República das Bananas

Não conheço brasileiro que não se ofenda com a nossa imagem primitiva no exterior. Nos filmes de Hollywood somos os jardineiros, imigrantes ilegais, narcotraficantes. Nos noticiários internacionais somos o país da violência, da corrupção, que não sabe receber turista. Nossos símbolos são futebol, carnaval e prostituição.
Realmente, tal redução ofende a nossa riqueza cultural. Ainda assim, convidamos a colocar de lado a nossa indignação e a fazer uma reflexão.
Enquanto nos esforçamos para manter tudo o que é supérfluo em padrões europeus, permitimos que escolas, transportes, hospitais e saneamento básico continuem em padrões pré-históricos.
Optamos por um conceito excêntrico de modernidade. Gastamos com modernas urnas eletrôncias, mas permitimos que o eleitor vá votar com fome e desinformado. Gastamos com transmissores digitais, mas permitimos que a comunicação seja uníssona e unilateral, concentrada nas mãos de conglomerados enquanto as comunidades e movimentos sociais são silenciados. Gastamos em laptops para promover inclusão digital e permitimos que crianças continuem nos semáforos no horário escolar, por falta de vaga ou de merenda. Brasília se endividará fazendo um trem para impressionar estrangeiros durante a copa do mundo, enquanto o transporte de massas continuará ineficiente para seu próprio povo. Permitimos que nossas universidades financiem a formação de cirurgiões estéticos, que ficarão ricos enquanto o povo continuará aguardando anos por tratamentos tão simples que Hipócrates já realizava na Grécia, há 500 anos antes de Cristo. Enfim, quando se leva em conta as nossas prioridades e os nossos projetos, chegamos à triste conclusão de que realmente somos mais bem descritos como uma república de bananas do que uma nação séria e comprometida com seu povo.
Hoje, com a atuação dos órgãos de controle e instrumentos de transparência, já não permitimos que o nosso dinheiro seja roubado, agora precisamos estabelecer mecanismos para que ele não seja mal gasto.

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