domingo, 15 de maio de 2011

Higienópolis: retrato de uma elite deseducada

Engana-se quem pensa que no Brasil educação é coisa de gente rica. Os ricos do Brasil não são educados. Eles cursam universidade, tornam-se escritores, empresário, intelectuais, poliglotas, políticos, economistas, juristas e doutores, mas boa parte nunca chega a ter educação de verdade. A educação tem por finalidade humanizar as pessoas. Torná-las civilizadas.
No Brasil não existe educação nem para os pobres nem para os ricos. Não existe para os pobres porque não existe escolas suficientes, nem vagas, nem infraestrutura, e nem professores, nem recursos. Às vezes existe a escola, mas não existe política para manter as crianças, que são obrigadas a abandonar a escola para ajudar em casa, seja trabalhando, pedindo ou se prostituindo.
Para os ricos a coisa é diferente. Existe escola, recurso, infraestrutura, professor, data-show, laboratórios, feira de ciência, livro didático, merenda e reforço escolar, mas não existe educação.
Não existe educação porque as pessoas não saem das universidades civilizadas. Saem com diploma, com carreira e futuro promissor, apenas. Graduam-se cheias de preconceitos. Vivem reclusas em condomínios de luxo, carros blindados, cercas elétricas. Reproduzem preconceitos contra nordestinos, contra pobres, contra homoafetivos, contra negros.
É só observar os noticiários. Tem estudante de direito que acha que paulista tem sangue melhor que nordestino, como virou notícia. Deveria estar cursando novamente o ensino fundamental. Tenho minhas dúvidas também quanto ao nível educacional de moradores de bairro nobre, que acham que a construção de uma linha do metrô desvalorizará o mercado imobiliário porque vai atrair "gente diferenciada". Tem jornalista nervoso porque agora "qualquer miserável tem carro". Tem empresário bem sucedido no agronegócio comemorando exportação de soja, enquanto milhões de brasileiros estão desnutridos.
A instrução da nossa elite ensina a se tornar rico. Falta mesmo é educação, aquela que ensina a se tornar humano.

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