Graças aos programas de erradicação da miséria, crescimento econômico do país, geração de empregos e expansão do crédito, pessoas que antes eram totalmente excluídas da economia atualmente têm acesso ao consumo. Entretanto, os pobres ainda não foram realmente absorvidos pela sociedade. O que tem ocorrido está mais para uma "infiltração social" do que uma inclusão propriamente dita.
Não houve inclusão social verdadeira porque democracia não se resume a consumo. Como já dissemos em outra oportunidade, o trabalhador tem acesso aos produtos, mas está distante dos meios de produção. Pode comprar um televisor de LED, mas não tem acesso à informação. Tem acesso ao alimento, mas não tem acesso à terra. Existe uma mera relação de consumo, e não de participação efetiva. Seus direitos sociais foram trocados por mercadorias.
Não houve inclusão social também porque a classe média ainda não acolheu esse novo consumidor. Ao que parece, algumas pessoas se sentem ameaçadas pela distribuição de renda. Temos visto notícias de preconceito porque parte da classe média não aceita dividir a sala de aula com alguém da periferia. Os pobres ainda causam estranheza nos mercados, quando circulam pelos corredores de biscoito e iogurte. São objeto de hostilidade porque têm conta bancária, porque consomem, porque compram carro e porque vão passear.
Resultado disso é que são covardemente culpados pelas longas filas nos caixas do mercado, pelas filas nos bancos, pela inflação, pelos acidentes, pelos congestionamentos, pela falta de estacionamento e pelo caos nos aeroportos.
A inclusão social deve ser vista, sobretudo, como reconhecimento da dignidade que há no outro, condição necessária para que os pobres não sejam vistos como alienígenas, e sim como seres humanos.
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