terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Democracia entre a tragédia e a comédia

O governo Lula chega ao fim deixando uma boa impressão. Nunca na história desse país o pobre consumiu tanto. A continuidade de uma política econômica conservadora e um pouco de sensibilidade social renderam a Lula uma popularidade histórica.
Projetos como Bolsa Família, além de reduzir a fome, funcionam como pequenas alavancas locais. Vimos que esse pouco dinheiro funciona como um dínamo nas economias provincianas. A mercadoria circula onde não circulava e empregos são gerados onde não se gerava.
Foi um governo marcado por avanços importantes, mas estamos longe de poder falar em uma “Era Lula”. Assim como o governo foi moderado nas transformações, precisamos ser moderados nos elogios. É verdade que os pobres têm acesso aos produtos, mas continuam excluídos dos meios de produção. Os camponeses estão mais próximos dos alimentos, mas continuam distantes da terra. Os modernos televisores de plasma se popularizaram, mas a comunicação continua concentrada nas mãos de poucas famílias. Enfim, não houve transformação.
Lula deixa um legado positivo para a história, mas nada extraordinário. Foi um presidente populista, mas muito longe de ser um Estadista. Não enfrentou interesses econômicos, não tirou a reforma agrária do papel e não houve nenhum esforço pela democratização da comunicação. Tivemos uma ligeira melhora, mas a estrutura da nossa sociedade continua a mesma.  Se com a dobradinha PSDB/DEM o povo ficava fora da peça, Lula nos colocou na platéia com um saco de pipoca nas mãos. Mas para sermos uma democracia de verdade precisamos deixar de ser meros espectadores e, de fato, entrar em cena.

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