sábado, 4 de dezembro de 2010

Monocultura ideológica na Terra de Santa Cruz

Um dos princípios básicos da agricultura é que o cultivo de uma única planta é prejudicial ao solo. Mesmo assim, os grandes latifundiários massacram nossa terra com algodão, soja e eucalipto. Mas não fazem isso por ignorância, e sim porque o capital está acima da noção de humanidade.
O nosso povo permite que os interesses econômicos se sobreponham aos interesses sociais porque é vítima de uma monocultura ideológica. A mente é como uma boa terra: se cultivarmos sempre as mesmas idéias, vai aos poucos se tornando estéril. E é isso que acontece quando reproduzimos uma cultura de discurso único.
A concentração de renda e a exclusão dos pobres aos direitos sociais só se tornam viáveis porque existe uma dominação cultural que tenta nos convencer de que as coisas são “assim mesmo”. Por causa da monocultura ideológica, as pessoas simplesmente não conseguem pensar uma sociedade diferente, mesmo que não exista nenhum impedimento lógico ou epistemológico em se pensar uma sociedade justa. Vemos nossas doenças sociais como extensões de fenômenos naturais inevitáveis. Acostumamos a conviver com a fome assim como convivemos com a força da gravidade. Aprendemos que a competitividade imposta pelo capitalismo é algo tão inevitável quanto a seleção natural explicada por Darwin. O desmoronamento de um barraco erguido sobre palafita não causa mais espanto do que uma cheia ou uma maré alta.
Assim como a monocultura agrícola torna o solo estéril, a monocultura ideológica acaba com a fertilidade da nossa mente para qualquer mudança que contrarie interesses econômicos, desarticula as pessoas, e nos torna voluntários servos de um discurso único. Mas assim também como uma terra empobrecida pode ser recuperada pela biodiversidade, podemos recuperar nossa capacidade de reagir e de sonhar com uma sociedade melhor rejeitando os adubos químicos e semeando nossas mentes com novas ideias.

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