terça-feira, 3 de maio de 2011

Misturando um pouco de política com religião

Um dos maiores prejuízos para a nossa sociedade, sem dúvida alguma, é a idéia de que precisa ser intelectual para falar sobre algum assunto. Temos aquela ingênua noção de que a verdade está nas mãos dos catedráticos, e por causa desse preconceito  pagamos um preço muito alto.
Contando com a compreensão do leitor que não é cristão, faremos uma pequena comparação entre a Igreja e a Política.
Jesus Cristo foi um homem simples. Exceto um ligeiro comentário sobre sua infância "no meio dos doutores", Cristo se cercava das pessoas simples. Ele não se levantava na multidão para falar de exegese, escatologia, homilética, soteriologia, pneumatologia ou hermenêutica. Na verdade ele nem fazia questão de conversar com os fariseus, que eram os donos da verdade da época. Ele estava onde as pessoas precisavam dele. Ele deixava os intelectuais para falar com a estrangeira, com a prostituta ou com o cego impertinente. Esse é o Jesus bíblico. Mas, santo Deus, o que foi que fizemos com ele? como fomos capazaes de sepultá-lo novamente? Hoje, ao invés de ensinar a prática do amor, as pregações cristãs se tornaram uma verborragia puramente intelectualóide.
O mesmo ocorreu com a política. A política nasce com o sentimento de coletividade, de cidadania. Fazer política é cuidar das pessoas, educar as crianças, pensar no futuro com otimismo. Entretanto, os cansados trabalhadores se tornaram rebanho nas mãos de economistas. Nosso catecismo diário se tornou ver no Jornal Nacional como fechou a bolsa de Tóquio, as decisões do COPOM ou o índice de Dow Jones.  Afinal, por que não divulgam diariamente os índices atuais de crianças famintas ou de analfabetos? Ensinaram que temos que nos calar porque não entendemos o que é superávit primário, PIB, Selic, Ibovespa, etc. E dissemos amém para tudo isso.
Mas assim como Jesus disse que da boca dos pequeninos é que sai o perfeito louvor, arriscaria dizer que ninguém mais do que o trabalhador sabe o que é melhor para seu filho. Nossos intelectuais nos convenceram de que construir estádios trará desenvolvimento e dinamismo para o Brasil. O mais modesto homem do campo dirá que é uma escola. Quem está com a razão?

domingo, 24 de abril de 2011

Movidos a gasolina

Com o preço da gasolina rompendo a barreira dos R$ 3, observamos que a população começa a se interessar por algumas questões de interesse nacional. Afinal de contas, é um absurdo pagarmos um preço tão alto pela gasolina!
Como que em passe de mágica, estamos todos informados sobre prospecção, auto-suficiência, extração, refinamento, distribuição, tributação, "cartelização" e consumo do petróleo. É muito positiva essa reação. Agora qualquer cidadão está apto a discursar com propriedade sobre o preço da gasolina. É um bom começo. Afinal, se somos auto-suficientes em petróleo, por que pagamos tão caro? Porque a gasolina é mais cara do que nos nossos vizinhos?
É lamentável que isso tenha ocorrido tão tarde e com um produto destinado a quem tem uma renda suficiente para comprar um carro. Mas, talvez, movidos a gasolina, procuremos outras explicações.
Ora, se é um absurdo pagar por R$ 3 na gasolina porque somos auto-suficientes, o que dizer da soja? exportamos para o mundo inteiro, e o preço do litro de leite de soja há muito tempo ultrapassa os R$ 4 e até agora não se viu nenhuma manifestação! Por que só o preço da gasolina incomoda?
Achamos um absurdo deixar de usar o carro, apenas porque somos auto-suficientes em petróleo. Entretanto, não nos incomoda que milhares de pessoas deixem de usar o estômago em uma nação exportadora de alimentos. A mesma noção de auto-suficiência não admite que um carro fique sem gasolina, mas permite que famílias inteiras passem fome.
Essa indignação reflete novamente a idéia de que não existe um sentimento de nação e de solidariedade entre o nosso povo. Só podemos nos considerar solidários quando tivemos a capacidade de lutar para que todos se alimentem com o mesmo esforço que empregamos para que nossos carros estejam abastecidos.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A República das Bananas

Não conheço brasileiro que não se ofenda com a nossa imagem primitiva no exterior. Nos filmes de Hollywood somos os jardineiros, imigrantes ilegais, narcotraficantes. Nos noticiários internacionais somos o país da violência, da corrupção, que não sabe receber turista. Nossos símbolos são futebol, carnaval e prostituição.
Realmente, tal redução ofende a nossa riqueza cultural. Ainda assim, convidamos a colocar de lado a nossa indignação e a fazer uma reflexão.
Enquanto nos esforçamos para manter tudo o que é supérfluo em padrões europeus, permitimos que escolas, transportes, hospitais e saneamento básico continuem em padrões pré-históricos.
Optamos por um conceito excêntrico de modernidade. Gastamos com modernas urnas eletrôncias, mas permitimos que o eleitor vá votar com fome e desinformado. Gastamos com transmissores digitais, mas permitimos que a comunicação seja uníssona e unilateral, concentrada nas mãos de conglomerados enquanto as comunidades e movimentos sociais são silenciados. Gastamos em laptops para promover inclusão digital e permitimos que crianças continuem nos semáforos no horário escolar, por falta de vaga ou de merenda. Brasília se endividará fazendo um trem para impressionar estrangeiros durante a copa do mundo, enquanto o transporte de massas continuará ineficiente para seu próprio povo. Permitimos que nossas universidades financiem a formação de cirurgiões estéticos, que ficarão ricos enquanto o povo continuará aguardando anos por tratamentos tão simples que Hipócrates já realizava na Grécia, há 500 anos antes de Cristo. Enfim, quando se leva em conta as nossas prioridades e os nossos projetos, chegamos à triste conclusão de que realmente somos mais bem descritos como uma república de bananas do que uma nação séria e comprometida com seu povo.
Hoje, com a atuação dos órgãos de controle e instrumentos de transparência, já não permitimos que o nosso dinheiro seja roubado, agora precisamos estabelecer mecanismos para que ele não seja mal gasto.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Qual é a reforma mais urgente?

Se dermos um pouco de crédito aos noticiários e à classe política, tudo indica que o Brasil deverá passar por grandes reformas nos próximos anos. Fala-se muito, ultimamente, em reforma política e reforma tributária, mas existem também temas que não estão na moda, mas nem por isso deixam de ser populares, como reforma agrária e dos meios de comunicação. De todas as reformas que arrisquei enumerar, alguns motivos que me levam a crer que a mais urgente é a reforma dos meios de comunicação.
O motivo é simples: essas reformas promoverão transformações estruturais no país. Não estamos falando de reparo em um museu ou da construção de uma ponte. Estamos falando de transformações que afetarão toda a população, inclusive as próximas gerações.
Durante o período militar, por decisões extremamente concentradas o país assumiu dívidas históricas, na maioria das vezes contraídas para financiar projetos totalmente desalinhados com as prioridades da época e o interesse nacional. Pela arbitrariedade de um governo, ainda hoje uma nação inteira trabalha para arcar com essa dívida. Isso não é justo.
Não podemos repetir esse erro histórico. Temos uma grande responsabilidade com o futuro do país. Por isso, entendo que o pré-requisito para todas as reformas é o esclarecimento e o envolvimento da população. Enquanto a opinião pública continuar sendo controlada pelos mesmos feudos midiáticos que apoiaram a ditadura, a população será vítima de um golpe após o outro. Só haverá debate de verdade e participação das massas com a democratização dos meios de comunicação. Portanto, comecemos o debate com a Reforma das Comunicações.

sábado, 26 de março de 2011

Liberalismo ou protecionismo?

Pior do que viver em um modelo neoliberal é não poder desfrutar das promessas desse magnífico sistema. Explico: o Estado não pode interferir na economia porque é um grave pecado contra a livre iniciativa. No capitalismo, a economia se tornou o novo Leviatã. O Estado não está mais a serviço do cidadão, e sim do mercado. Mas alguma coisa é estranha no nosso liberalismo. Algo precisa ser explicado. O Estado não pode ter sua própria frota de transporte coletivo porque isso é um assunto que interessa à livre iniciativa. Mas ao mesmo tempo, protege esse negócio concentrando o transporte nas mãos de alguns magnatas que juram operar no prejuízo. Fica uma provocação: se estamos numa terra de livre iniciativa, por que diabos o governo não estrutura uma agência reguladora de transporte, estabelecendo critérios que permitam a qualquer cidadão prestar esse serviço?
Quando as empresas que detêm o monopólio são intimadas a oferecer dignidade à população, os xeiques do transporte alegam que a coisa está insustentável e que estão operando no vermelho, falatório que sempre leva ao aumento das tarifas. Já que o transporte só dá prejuízo, o que dizer do transporte pirata? Fica o desafio: por que nosso Estado não honra o liberalismo, garantindo a qualquer cidadão que preencha os requisitos mínimos de segurança, o direito de trabalhar também no prejuízo? Isso sim é proteção à livre iniciativa. O modelo atual é, na verdade, um protecionismo aos barões do transporte, sem nenhum compromisso com a população. Quem sabe, assim, teríamos transporte de qualidade, para que o trabalhador possa se deslocar com dignidade e preços acessíveis.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Capitalismo e Socialismo na Teoria e na Prática

É incômodo perceber como nosso modelo educacional nos doutrinou a enxergar a economia. Sempre vemos socialismo por um dos seguintes modos: ou mencionamos como uma bárbara e fracassada ditadura marcada por atrasos e violação a direitos humanos, coerção à liberdade e à religião, ou então como um absurdo ilógico e impraticável conto de fadas. Para nos livrar desse horror, até rebatizaram a palavra utopia, ampliando o significado de algo que não existe para significar algo que jamais poderá existir, tal qual um conto infantil, coisa de juventude “revoltadinha” ou então, no máximo, como ingenuidade intelectual.
Da mesma forma, fomos doutrinados a enxergar apenas dois modelos de capitalismo: ou o capitalismo dos livros, belíssima teoria onde se exalta a liberdade individual e a livre iniciativa, ou então o modelo norte-americano, apresentado como a terra das oportunidades, da abundância (leia-se desperdício), onde para ser próspero é só uma questão de vontade.
No socialismo, violência, despotismo e ausência de liberdade são partes integrantes, atributos inerentes, intrínsecos, imanentes ao próprio sistema. Ninguém se habilita a explicar como um país pobre como Cuba sobrevive com índice de desenvolvimento humano elevado, tendo um povo instruído e baixa mortalidade infantil. Mas quando se fala em capitalismo, a pujança econômica se deve unicamente à formidável coerência interna do sistema, enquanto que temas como fome, corrupção, desnutrição, mortalidade infantil e favela são meros acidentes, causados pela indolência do próprio povo.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Violência só gera violência

Se um povo que resolve as coisas na violência não pode ser considerado civilizado, então creio que não somos civilizados, pois a violência faz parte do nosso cotidiano.
Acolhemos em nosso país estudantes que vão às ruas para fazer barulho. Recentemente os jornais exibiam uma filmagem em que uma mulher arrancava à força uma jovem do metrô porque estava sentada em assento preferencial. No entorno de Brasília, trabalhadores bloqueiam ruas, interrompem o trânsito e queimam pneus em protesto contra falta de prestação de serviços públicos. Enfim, parecemos mesmo um bando de selvagens.
Essa violência causa alarde, toma conta dos noticiários e nos envergonha muito. Mas não é dessa violência que estamos falando. Nós nos acomodamos e fomos doutrinados de tal maneira que enxergamos apenas uma face da violência. Achamos uma brutalidade uma mulher forçar uma jovem a se levantar de um assento destinado a idosos, mas não vemos como violência o fato de privar uma idosa de se sentar no assento a que tem direito.
Consideramos uma selvageria ver trabalhadores incendiando ônibus, mas somos tapados para a violência que os barões do transporte praticam contra o trabalhador, apartado do direito de ir e vir porque não tem dinheiro pra comprar carro.
Vemos com profundo pesar monstros bloqueando estradas, ateando fogo em pneus, mas nos parece muito normal ver cidadãos sem transporte, saúde, educação ou saneamento básico. Criminalizamos nossos movimentos sociais porque lutam por terra, mas saudamos com louvor os latifundiários do agronegócio, que escravizam pessoas famintas para mandar o melhor de nossa terra para alimentar gado europeu. Da próxima vez que nos disserem “violência só gera violência”, lembremos que a violência social começa com a violação dos direitos fundamentais.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Uma curiosidade sobre a lógica neoliberal

Diz a regra neoliberal que as coisas não funcionam nas mãos do Estado. Bom negócio mesmo é aquele administrado pela iniciativa privada. Quem duvida é convocado a constatar a diferença entre as escolas, estradas e hospitais públicos e privados. Além disso, dizem que a privatização salvou a telecomunicação e a mineração no país. Enfim, há um consenso de que o Estado não tem competência para gerir nada.
Mas toda regra possui uma exceção. O hemocentro de Brasília, por exemplo, desmascara esse mito e mostra que repartições públicas podem ser eficientes, sim. A unidade proporciona excelência no atendimento, dispõe de sistema informatizado, oferece ótimas instalações, e os funcionários esbanjam competência, agilidade e cortesia. O que determina o sucesso ou fracasso de uma gestão não é se ela é pública ou privada, mas uma lógica curiosa:
A nossa alta sociedade, isto é, nossos nobres deputados, juízes e empresários não admitem que seus filhos dividam uma sala de aula com o filho do pedreiro, da empregada doméstica ou do gari. Na lógica liberal, recurso público destinado ao pobre é puro desperdício. Por outro lado, quando se vêem diante da necessidade de uma transfusão de sangue, ninguém pergunta se o doador é pobre, negro, nordestino ou analfabeto. Nessa hora, um espírito "mais-que-natalino" esconde embaixo do tapete todas as diferenças genéticas, sociais e culturais. De repente todos nos tornamos uma única família. Se o pobre é bem tratado no hemocentro e morre na fila do hospital público, só podemos concluir de que esse sangue vai correr em veias nobres. Para essa gente, dinheiro público só é bem aplicado quando é para sangrar ainda mais o pobre. E no caso do hemocentro, literalmente. No Brasil é assim: quando se fala em transferência de sangue, somos todos irmãos, mas quando se fala em transferência de renda, uns são humanos, outros são macacos.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Ex-presidente *

Sempre reparei muito as nomenclaturas e terminologias utilizadas nos mais variados textos e entrevistas.
E, como de costume, também notei que a Imprensa, de um modo em geral (ou se preferirem... as "poderosas" - quase todas, diga-se de passagem), sempre se dirigia às ex-autoridades máximas de nosso país sem a nomenclatura "ex" - principalmente em entrevistas (televisivas ou não - embora a ausência da partícula predominasse nas de primeiro tipo). Chamavam o Fernando Henrique Cardoso de Presidente - mesmo após alguns anos de sua saída; idem para Sarney, Itamar.
Para não ficar só na Presidência, basta olhar alguns casos de Governadores, Senadores e Deputados que saíram dos cargos (seja para disputar novos, seja pela derrota em eleições). Não vou ficar citando muito nomes. Diversas entrevistas no YouTube estão disponíveis para quem se interessar.
O fato é que "nunca antes na história desse país" um ex-presidente foi assim chamado: "EX-Presidente".
Mas com Lula, parece que querem fazer de tudo para apagarem sua estrela (ou a do Partido dos Trabalhadores  - PT, nunca se sabe).
A realidade é que fazem de tudo para enfatizar a partícula "ex".
Não sei se é a falta de costume de verem tratar um ex-presidente assim ou se é porque a partícula vem carregada com um viés negativo de tentar, efetivamente, afastá-lo - ou ambos.
Mas a realidade é que Lula, até nisso, foi superior.
Não roubou a cena na posse de Dilma. Nem ficou ou está dando pitacos no novo governo. Enfim. Apenas se resignou - ação que alguns EX-Presidentes, EX-Senadores, EX-Prefeitos, EX-Governadores, EX-Deputados, EX-Vereadores deveriam fazer, não é mesmo?! De qualquer jeito, fica a dica...

* Colaboração de Rafael Alves

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Bom senso*

Como mero colaborador, permito-me estender um “pouco” mais em meu(s) texto(s) do que o anfitrião do sítio.
A meu ver, e tentando casar um pouco as informações já postadas por aqui, a sociedade brasileira passa por um momento de grande falta de bom senso, e, em minha visão, explica algumas (não todas) das considerações já tecidas pelo proprietário deste diretório.
Vemos a falta de bom senso quando há discriminação, em pleno século XXI, a pessoas – seja por classe econômica, cor de pele, opção sexual, opção religiosa, etc.; quando parlamentares aumentam o próprio salário deixando a míngua prioridades nacionais; quando o país se preocupa mais em promover eventos como Olimpíadas e Copa do Mundo de Futebol do que investir em educação ou saúde. Enfim...
Um exemplo recente da existência de atitudes infames como essas foi a postagem, na rede mundial de computadores (através da rede social Twitter), de autoria da estudante de Direito Mayara Petruso, do seguinte comentário: “Nordestisto não é gente, faça um favor a Sp, mate um nordestino afogado!” (sic).
Que ela possua essa opinião, em minha visão, não é problema. O problema foi a forma de externá-la.
Acredito na liberdade lato sensu. Entretanto, por mais que a liberdade de expressão exista, ela não está por aí, rodando, a bel prazer de quem ousa usá-la. Há um custo ao usá-la. E esse custo é o respeito.
Em minha mente posso cometer os crimes mais sinistros, mais atrozes e inimagináveis de tão perplexos e torturantes. Contudo, não posso pô-los em prática. Talvez externá-los de determinado modo dê bons livros de terror, mas, ao dizer que gostaria de cometer qualquer desses crimes a determinada pessoa não estou mais exercendo liberdade de expressão. Exerço ameaça. Cometo desrespeito.
Da mesma forma assim acontece com determinadas opiniões, que, ao ultrapassar as cordas vocais e atingir o lado externo da boca ganham outra significação. Tal qual o caso do tweet da estudante acima citada.

Ao descrever tal comentário ela não apenas emitiu sua opinião. Ela desrespeitou um determinado grupo de cidadãos, que, assim como ela, são feitos de células, tecidos, conjuntos, órgãos; se alimentam; vivem; pagam impostos; votam, etc. Coisas que ela (e milhares de outras pessoas) também fazem.
Em suma: ultrapassou os limites da liberdade, desrespeitando o próximo.
E aí entra o bom senso (a falta dele, melhor dizendo). Não gostar de alguém (específico ou não) é normal. Todos temos gostos e opinões e a realidade é que não se consegue agradar a todos.
Externá-las numa rede mundial, em que a informação é disseminada a velocidades surpreendentes, demonstra uma falta de senso sem tamanho e, infelizmente, rotineira na sociedade brasileira. Nesse caso, em específico, a ausência de bom senso foi tamanha que houve comentários em noticiários estrangeiros...
Mas a falta de bom senso não fica adstrita a apenas esse tipo de ação ou pessoa.
É possível perceber a ausência de bom senso quando os dirigentes do país se preocupam mais em aprovar os próprios salários a fazer reformas que sejam benéficas a sua população (população que, direta ou indiretamente, os designou como representantes).
É maior ainda a ausência de senso dos administradores do país quando fizeram de tudo para trazer os dois maiores eventos esportivos do mundo para serem sediados no país enquanto os hospitais sofrem com a também ausência de leitos, remédios, médicos capacitados; enquanto o país ocupa uma das piores colocações em índices de leitura; enquanto a maioria dos municípios é deficitário em saneamento básico...
Não que esses eventos não tragam benefícios aos países que o sediam. Longe disso. Ou ao menos é o que se espera. Haverão melhorias na infraestrutura de transportes (rodoviário, aeroviário, ferroviário, aquaviário), melhoria na saúde e outras áreas – tudo exigência das agências esportivas para que seja possível a realização dos eventos.
Entretanto pairam duas dúvidas muito pontuais: 1ª Era mesmo necessário termos sido escolhidos sede desses eventos para, enfim, “colocarmos ordem na casa” e realizar as ações que, seja por lei, seja por obrigação moral ou social, estamos obrigados a cumprir?; 2ª Por que tanto dispêndio de esforços para a realização desses eventos (ou a celeridade na aprovação dos próprios proventos) se nas ações ordinárias, costumeiras e necessárias, não é o que se constata?
Mais uma vez a falta de bom senso (e começo a acreditar que seja falta de senso mesmo) se mostra bem clara…
Findarei por aqui para não me alongar demais e a fim de evitar a fadiga do leitor.
Que 2011 nos traga fartura de bom senso (Ou apenas senso já nos bastaria? Ou talvez esse escritor tenha usado erroneamente a expressão “bom senso” quando queria dizer “educação”?! A dúvida pode permanecer… mas a realidade é que se a nossa população for beneficiada por qualquer uma dessas dádivas humanas, nosso país só tem a ganhar!)

*Rafael Alves